O Dia Que A Bola Sumir
Tá, viver na incerteza de um desgoverno federal, na espiral alta do custo de vida, no redemoinho da corrupção, nas mentiras dos políticos, não ganhar na loteria, suportar o peleguismo dos jornalistas e conviver no meio da violência e dos traficantes, tudo, bem, cada um dá um jeito de driblar tudo isto; agora, viver sem a bola, jamais! Só de brincadeira fiquei imaginando que o pior de tudo acontecesse no Brasil : que o Xandão proibisse em tudo o nosso vasto território o jogo de futebol profissional, de pelada, de salão, de areia, de mulheres e de bocha. Já pensaram no enguiço que isto daria? Sem futebol no sábado, no domingo, na terça, na quarta, na quinta e na sexta, nem no rádio e nem na TV, só novelas, noticiários da Globo, Ana Maria Braga, Miriam Leitão e pregação dia e noite da Universal. E futebol do exterior nem do campeonato amador do Afeganistão. Óbvio que haveria, daí, sim, não uma mas várias conspirações contra o governo do Luiz Ignácio, e juras de assassinatos de muita gente, até do Xi que não gosta nem um pouco de futebol. Deve ser porque ele não enxerga longe. A polícia federal, obediente e subjugada aos caprichos do Xandão, instauraria para a sua glória milhões e milhões de inquéritos policiais e todos eles com relatórios repletos de conjecturas, montagens e insinuações contra os amantes do futebol, comentaristas, cronistas, locutores e torcedores. Inclusive as Marias Chuteiras, embora muitas delas fossem inocentes, pois nem todas gostam de futebol, mas do bolso dos jogadores. E com os inquérito nas mãos, o glorioso Xandão expediria ordem de prisão para toda essa gente, sem nenhum medo de que falte cadeia. Como pior castigo os torcedores mais fanáticos ficariam implantados nos improvisados presídios do Maracanã, das Arena Corinthians, Pantanal, Amazônia, dos Estádios Dorival de Britto, Nelson Medrado Dias e Brinco de Ouro. E a convulsão social do país seria para valer, até as FFAA protestariam com cetras e balaústres na frente do STF; os sindicatos exigiriam que os presos constituíssem um sindicato próprio para poderem impretrari Ordem de Habeas Corpus; e só os Sem Terras é que continuariam, clandestinamente, batendo suas bolinhas porque juridicamente não existem, logo, são invisíveis perante o STF. Os famosos comentaristas Neto, Mafuz, Carneiro Neto, Mauricio Noriega, Antônio Grego e Téo José, entre outros, vão se homiziar na embaixada da Inglaterra, a pátria do futebol. E até o “Caramelo”, um vira-lata adotado pelo Coritiba Foot Ball Club, será conduzido sob ordens e com corrente na coleira ao matadouro da Prefeitura para virar sabão. Ah, sem contar o número de divórcios decorrente da falta dos jogos de futebol, pois aumentará a violência doméstica com as mulheres obrigando seus maridos assistirem as novelas da Globo. Sem a bola rolando o Brasil vai virar de cabeça para baixo. Suicídios aos montes. Hospitais psiquiátricos lotados. O país vai parar, greves vão surgir do nada, mas tudo por causa da falta da bola. “Que me falte pão e água, mas que não me falte a bola!” Esta foi, por incrível que possa parecer, o desabafo do nosso imortal Luiz Ignacio. Até que seria um ato corajoso, não fosse a “nossa” Janja completar: “Claro, meu amor, pois nossa dispensa tá cheia de bolacha e de pinga”…
“Golpe de Estado mesmo, só no dia que for proibido no país, o jogo de futebol. Será um luta fratricida digna da Revolução Francesa. Ou, que me perdoem meus amigos queridos, só no dia que o Athletico cair para a segunda divisão!”