Advogados Inesquecíveis
Tem pessoas que nascem predestinadas a viver uma vida de honradez e dedicação profissional, que quando partem para viver nas estrelas, deixam rastros profundos nos caminhos que percorreram. Claro que em todos os campos da atividade humana existem ditas personagens, na Arquitetura, na Medicina, na Engenharia Civil, na Odontologia, no Comércio, na Indústria, na Agropecuária, na Política, no Magistério, nas Artes e todos os demais ramos de trabalho digno, destacam-se homens e mulheres que fizeram de seus modos de viver e de trabalhar verdadeiros apostolados. São indivíduos que nunca morrem porque permanecem vivos nas lembranças e nos corações daqueles que um dia tiveram o feliz privilégio de conhecê-los na profissão ou de conviver mais próximo deles. E por ter sido o campo do Direito onde me dediquei em toda a minha pública, é que justifica escrever sobre os advogados com que convivi e aprendi com eles as melhores lições de ética, urbanidade e respeito. É claro que o espaço de minhas crônicas não permite que eu cite um grande número de nomes, por isto e só por isto, vou elencar apenas alguns e não por serem os mais importantes, porque seria injusto com os outros de igual brilho, mas deixei de registrar. No fórum de Curitiba e nos corredores do Tribunal de Justiça percorria, sempre sorridente e dando balinhas de açúcar para quem dele se aproximasse, o dr. Dalio Zippin, com cabelos brancos, agarrado em sua mala de couro onde carregava processos, sempre atencioso e cortes advogava com invulgar brilhantismo. Um advogado de escol que deixou imorredouras saudades. E com igual fôlego, também com sua inseparável mala de mão, em que carregava processos, era sempre uma alegria deparar com o dr. Alyr Ratacheski , com quem tive a honra de trabalhar ao seu lado por duas ocasiões, quando integramos Bancas de Concurso para Ingresso na Carreira do Ministério Público do Paraná, ele como representante da OAB e eu como Promotor de Justiça. Na atividade forense vi em várias ocasiões o dr. Alyr distribuindo Memorial ao advogado da parte ex-adversa, com igual conteúdo que ele distribuira aos Desembargadores, para que seu oponente tivesse conhecimento prévio da defesa técnica elaborada em favor do Direito de seu cliente. Um notável exemplo de ética. Um outro causídico que causava admiração dos Operadores do Direito foi o dr. Newton De Sisti, recentemente falecido, nonagenário, ex-Presidente da Seccional da OAB, foi um intransigente defensor das prerrogativas dos advogados, um democrata e amante da Ordem Legal e da Justiça. E com ele perfilaram o dr. Álbarino Mattos Guedes, dr. Eduardo Rocha Vitmond, dr. Renê Dotti, dr. Otto Sponhoz, dr. Acir Breda e outros que no auge do Governo Militar prestaram seus serviços na defesas de réus processados na Justiça Militar, acusados por crimes contra a Segurança Nacional. Todos eles defenderam com unhas e dentes, sob o risco de caírem em desgraça, a volta do Habeas Corpus o único remédio Constitucional capaz de garantir o
direito individual contra prisão arbitrária. Pena porque que gostaria de citar outros nomes que fizeram parte dessa plêiade de advogados combativos, destemidos e que honraram a beca que vestiram na defesa de pessoas inocentes e injustamente perseguidas, mas minha memória me traiu e não pude lembrar de mais ninguém. Hoje, quando vejo decisões e prisões indecentes, com ausência de fundamentos tecnicamente corretos, emanadas do STF, lamento que a atual geração de de Operadores de Direito permaneçam calados, como se tudo estivesse de acordo com as leis e a Constituição do país. A classe jurídica perdeu a coragem, cresceu assustadoramente o número de Bacharéis pela facilitação da criação de Faculdades de Direito, mas estas pela precariedade do ensino que ministram esqueceram de formar Advogados, como os de antigamente, que enfrentavam tudo que fosse empecilho contra o Estado Democrático de Direito, mesmo com risco de suas próprias vidas…
“Nunca advoguei e quando me aposentei como Magistrado não me atrevi a advogar, pois não tenho aptidão para tão importante e relevante tarefa. A Advocacia é uma arte onde o aprendizado é constante, a ética, o destemor, a gana de nunca esmorecer, é a argamassa do bom profissional. Advogado que não combate e defende o Império da Lei e da Ordem, pode até usar a beca, mas não deixará rastro nenhum.”